[este texto pode também ser lido em Inglês, aqui]

Multilinguismo | O Inglês como base de entendimento

Bruxelas é uma cidade multilíngue. É habitualmente chamada de «Bolha da UE», pois a maioria das organizações europeias estão aqui sediadas. Mas não só encontramos cidadãos europeus espalhados pela cidade, como também pessoas de todos os cantos do mundo. É simplesmente incrível! Todos os dias, caminhando pela cidade, ouvimos as mais variadas línguas nas mais simples conversas. O multilinguismo é uma realidade. Mas então onde encontramos uma base de entendimento entre todos?

Vim para Bruxelas para participar num estágio de Tradução na Direção-Geral de Tradução da Comissão Europeia. A tradução é, de facto, crucial nesta cidade multilíngue – a UE tem 24 línguas oficiais – e documentos, comunicados e leis devem ser traduzidos de e para cada uma das línguas de cada Estado-Membro. Um verdadeiro desafio, não acham? Mas, como tradutora, na minha humilde opinião, é essa a beleza da União Europeia – cada país é diferente, cada língua é única, mas todos se unem num só. Como Alexandre Dumas escreveu em Os Três Mosqueteiros «Um por todos e todos por um» (pelo menos devia ser assim…).

Mas então, e a base de entendimento? A Língua Inglesa, claro está. Vamos esquecer o Brexit. A Língua Inglesa é a língua de trabalho em comum. Não apenas aqui em Bruxelas, mas por todo o mundo. Se querem ir para outro país, quer seja de férias, em negócios ou para estudar, estou certa que vão precisar do Inglês.

A Língua Inglesa tornou-se uma língua franca, ou seja, é utilizada para tornar a comunicação possível entre pessoas que não partilham uma língua nativa ou dialeto, em particular quando é uma terceira língua que é completamente distinta das línguas nativas envolvidas. Acredito, por isso, que o Inglês estará sempre presente e será sempre necessário. Devemos, por isso, estudá-lo, praticá-lo, e estamos já a ele expostos no nosso dia-a-dia. No entanto, não somos nativos nesta língua e isso não deve nunca ser um entrave.

Uma colega tradutora enviou-me este artigo da BBC, com o qual estou plenamente de acordo:

«”Com o número de falantes de Inglês não nativos a ultrapassar em larga escala os falantes nativos, depende agora destes últimos se tornarem mais adaptáveis”, diz Neil Shaw, autoridade para a fluência intercultural do British Council, o órgão para a educação e cultura internacional do Reino Unido. Cerca de 1,75 mil milhões de pessoas de todo o mundo falam Inglês a um nível eficiente e, até 2020, são expectáveis dois mil milhões, de acordo com o British Council.»

E ainda…

«”O Inglês como língua materna pode não ser mais uma vantagem”, diz o Dr. Dominic Watt, especialista em sociolinguística na Universidade de York, no Reino Unido.

“Não é necessariamente do seu interesse ser um falante nativo de Inglês, pois não teve de passar por todo o processo de aprendizagem que o não nativo teve. Os não nativos encontram-se então ao mesmo nível e são os nativos os casos especiais”, diz Watt.

No Parlamento Europeu, por exemplo, os falantes não nativos queixam-se aos Anglófonos, “Não podes falar Inglês normalmente como todos nós?!”, acrescenta Watt. “A balança de poder inclinou-se um pouco por pura virtude de números.”

“Gradualmente, os falantes nativos apercebem-se que algo está errado com a sua maneira de falar.”, afirma Cathy Wellings, diretora da London School of International Communication, no Reino Unido.»

Podem ler o artigo inteiro em Inglês aqui:

http://www.bbc.com/capital/story/20161215-you-need-to-go-back-to-school-to-relearn-english

Por isso, não tenhamos medo da Língua Inglesa, vamos sim aceitá-la nas nossas vidas porque é necessária.

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