Foi o tema da nossa TEA time desta semana no Facebook, mas a mensagem é tão importante que não poderia, não deveria, ficar confinada àquele espaço. Nada melhor do que eternizá-la em texto e é exactamente esse o propósito deste artigo.

 

Qual a importância de falar Inglês?

Esta pergunta tem sido feita e refeita um pouco por toda a Internet e também fora dela. São muitas as respostas, muitos critérios e muitos argumentos, quase todos consubstanciados em números e estatísticas – que mudam a forma consoante a fonte e o momento.

Não me vou alongar muito neste tema, mas lembro que a análise dos números pede sempre cautela. Devemos ser pacientes para entender o que eles nos dizem e não sofrer precipitadamente com o facto de diferentes fontes nos darem diferentes dados.

Uma coisa é certa e é comum a todas as estatísticas: o Inglês está entre as 5 línguas mais faladas em todo o mundo e é também a mais aprendida como segunda língua – pelo menos enquanto o Chinês não lhe roubar o trono.

 

A importância da Língua vai para além das estatísticas

Como é que um espanhol, um belga, uma angolana e um sul-africano se entendem numa conversa descontraída? E se a isso lhe juntarmos uma francesa e uma italiana? Há uns anos atrás esta experiência teria sido, no mínimo, um quebra-cabeças inquietante. Hoje em dia é uma situação normal, relativamente fácil de gerir. E é que reside a importância do Inglês.

Não é nas estatísticas, nem nos manuais, nem nos vídeos estilizados que muitas vezes utilizamos como suporte nas nossas aulas. O impacto do Inglês sente-se na vida real, com pessoas reais, pessoas como as que se sentaram comigo naquela mesa e que tinham apenas um propósito: comunicar, conectar-se. O Inglês foi simplesmente o meio para chegar a esse fim.

 

A estranha utopia do Inglês perfeito

Na vida real, a maioria dos falantes de Inglês não são nem Britânicos nem Americanos. Apesar disso, continuamos a ter pessoas que nos procuram para aprender Inglês perguntando se ensinamos American ou British English. Como se o mundo estivesse dividido apenas nessas duas realidades. Ou como se só essas duas categorias coubessem na caixinha do proper English e tudo o resto estivesse, de alguma forma, errado.

Um pouco como a ilusão do príncipe encantado dos contos de fada, ou do acordar perfeito depois de uma noite de amor nas comédias românticas, alimentamos uma crença ilusória que nos leva a perseguir um Inglês falado na perfeição. Esta ilusão é difícil de quebrar, pois foram muitos anos a acreditar numa “meia-mentira” que, de tantas vezes contada, se tornou verdade.

O Inglês ideal, o Inglês imaculado, sem erros ou imperfeições não existe. A Língua enquanto expressão de cultura será sempre imperfeita – incluindo a nossa própria língua materna – pois nenhuma cultura cabe na ideia de perfeição. E é nessa “imperfeição” que reside toda a sua riqueza, beleza, identidade e singularidade.

 

Lamento desiludir-vos mas o Inglês da vida real – mesmo quando usado por falantes experientes – terá sempre alguma conjugação verbal errada, uma ou outra preposição trocada, phrasal verbs mal combinados, idioms atabalhoados, sotaques misturados que denunciam a origem de quem fala, e muitas outras coisas que só acontecem… na vida real.

 

Claro que, depois de nos desiludirmos, podemos e devemos melhorar. É para isso que o TEA existe, fale connosco.

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